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Carreiras - Construção e Transição

Puxa-saquismo é necessário para crescer na carreira?

Quem não detesta um puxa-saco? Aquele cara que vive babando ao redor das pessoas importantes, que não olha para os lados a não ser que descubra alguém que valha a pena agradar. Todo mundo, eu sei. Entretanto, descobri numa revista Época antiga, um trabalho de dois professores americanos, Ithai Stern e James Westphal que concluiram após uma pesquisa que muito poucas pessoas sobem na carreira apenas por competência. Uma boa dose de politicagem e bajulação é essencial, segundo eles, para conseguir uma promoção. Os professores Stern e Wesphal levam a pesquisa adiante, descobrindo os mais bajuladores de acordo com profissão e até mesmo faixa social. No entanto, a discussão que quero trazer aqui não precisa desses detalhes. O que eu gostaria de comentar é como ser um puxa-saco eficiente sem ser realmente um puxa-saco.

Parece que não faz sentido? Mas, faz, você vai ver. A fronteira entre puxa-saquismo e política de relacionamento dentro das empresas é uma linha muito tênue, fácil de ser ultrapassada. Você precisa agradar seus superiores para crescer? Faça isso com elegância, sem ser ofensivo com seus colegas e sem ser um chato de quem todo mundo quer fugir. Existe uma sutileza que envolve o puxa-saquismo que o faz mudar de categoria e transformar-se em “habilidade política”, “facilidade de relacionamento”, “capacidade de negociação” e outros conceitos admirados por todos.

Em primeiro lugar, não seja um bajulador somente dos superiores, elogie seus colegas e subordinados com a mesma facilidade com que elogia seu chefe. Quando for adular seu chefe, disfarce pedindo conselhos, sugerindo que a maior experiência e a capacidade dele podem ajudar você a descobrir saídas para situações difíceis. Você vai ver que não está muito longe da verdade, ele poderá realmente ajudar e você deixou claro o quanto o admira e confia.

Não concorde com tudo o que seu chefe diz sem nem mesmo ouvir direito o que ele tem a dizer. Mesmo que queira fazê-lo, faça um pouco de rodeio, diga que tem dúvidas, dê a ele a chance de “convencer” você. Essa pequena vitória fará bem para o ego dele e criará boa vontade em relação a você. Concordar com tudo sem pensar vai deixar claro que você está concordando apenas para agradá-lo e você não ganhará muitos pontos. Antes de elogiar uma performance qualquer do seu chefe, desculpe-se antes para não constrangê-lo, especialmente se o desempenho não foi tão bom. Busque detalhes nos quais ele se saiu bem e ressalte esses, fingindo que não viu os ruins.

Lembre-se, tudo o que vale para seu chefe e outros superiores, vale para seus pares e subordinados. Faça o mesmo com eles sempre que puder. Tenho certeza de que essa pequena providência fará com que você não seja classificado entre os puxa-sacos declarados.

Fazer elogios indiretos pode ser muito eficaz também, desde que você saiba que o elogiado vai saber que você o admira. É muito melhor do que ficar babando na gravata ao redor do cara. Quando concordar com a opinião dele, afirme isso em alto e bom som, nada de esconder. Ele vai gostar de ter seu apoio, especialmente se for numa situação complicada. E, se você puder saber a opinião previamente e pensar sobre o que você pensa a respeito antes, isso o ajudará a se manifestar adequadamente mesmo que você não concorde inteiramente.

Depois disso, você pode puxar o saco de quem quiser sem que os outros o definam como um profissional do puxa-saquismo, um chato de galocha. Tenho certeza de que você será admirado por sua capacidade política e de negociação.

Por Maria do Carmo Marini

Há dez anos trabalhando com pessoas, seu desenvolvimento e o que elas querem dizer ao mundo, minha formação eclética me levou a viver experiências profissionais mais lúdicas e generosas . Escrevo artigos e livros, além de produzir conteúdo moderno, bem fundamentado e num visual extremamente prazeroso para clientes de diferentes segmentos.
Faço parte de uma tribo otimista e alegre e acredito que o mundo tem potenciais inexplorados e fascinantes a serem descobertos. Considero a família – marido, filhos, netos, irmãs e irmãos – meu porto seguro. Curiosidade e paixão pela vida me fazem aprender e buscar coisas novas sempre. Adoro gente inteligente e elegante. Viagens, cinema e livros me encantam, bem como encontrar os amigos para compartilhar boa comida e boa bebida. Estou sempre disposta a compartilhar experiências, conhecimentos e estórias.

Minha formação viaja de Engenharia Elétrica, passa por Consultoria de Carreira e Desenvolvimento de Pessoas, e mais umas coisinhas. Passo a vida a aprender, o que me permite produzir conteúdo de qualidade e compartilhar informações interessantes nas mídias sociais. Tenho especialização em Comunicação Corporativa pela FGV, Curadoria do Conhecimento pela Inesplorato e pós-graduação em Consultoria de Carreira pela FIA-USP. Sou parceira estratégica do Escritório de Carreiras da USP.

3 respostas em “Puxa-saquismo é necessário para crescer na carreira?”

Sensacional, Mairini!
Tomara que as pessoas percebam que lições como essas – e sobretudo bem ressaltadas quando você diz que o mesmo comportamento deve ser estendido aos colegas de trabalho – servem para tornar nosso ambiente mais leve e POSITIVO, também. Comentando alguns pontos: 1) quando a pessoa trocar ideias de forma aberta com o chefe ou com colegas, no final ela realmente vai se tocar de que a melhor coisa é compartilhar experiências e aprender com a história dos outros. E se o chefe tem aquela posição, mais certo que realmente tenha uma visão mais experiente, global, estratégica e etc;
2) Buscar detalhes positivos mesmo em um momento ruim protagonizado por outro é um EXCELENTE exercício de solidariedade! Várias vezes, em debates pra lá de tensos, meus chefes vieram me perguntar depois o que achei de sua performance e fiz isso: ressaltei o que de melhor fizeram, sem no entanto deixar de falar francamente do “contexto geral”. E isso fez com que estabelecêssemos uma espécie de “laço” mesmo de solidariedade e franqueza.
3) Por último, e POR QUE NÃO elogiarmos com alguma efusividade uma ótima ideia que ouvimos dos chefes ou de colegas ou subordinados? Por que não externarmos aquela surpresa positiva com alguma alternativa posta à mesa? Esse tipo de reação é natural, e incluisve torna o ambiente mais autêntico. Afinal, “existe vida” dentro de nós. E não apenas aquela empáfia dos posudos, a falsa humildade dos recalcados, ou a eterna “disponibilidade dos tenebrosos puxa-sacos!
Abraços!,
Moema

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