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Carreiras - Construção e Transição

A moça de vestido pink ou a cara feia do preconceito

elefantapinkHoje me perguntaram o que eu tinha escrito aqui sobre o episódio lamentável da moça que foi agredida na Uniban por vestir um vestido pink muito curto. Estranhamente até agora não tinha tido vontade de falar sobre o assunto, porque achei tudo muito irritante. Entretanto, quem me conhece acha impossível eu não ter me manifestado, pois sempre fui uma defensora das mulheres e seus direitos,  então, com atraso, decidi falar alguma coisa.

O episódio inteiro, desde a agressão à moça, passando pela expulsão e pela volta atrás da Universidade é uma palhaçada perigosa, tanto do ponto de vista dos direitos das pessoas quanto do ponto de vista do precedente que abre. Se pensar que a Universidade é o lugar aonde são geradas as ideias e os novos conceitos e regras, uma atitude retrógrada em relação ao jeito de vestir de uma pessoa, é um acontecimento no mínimo muito estranho.

Desde o início da polêmica eu quis saber o que aconteceu naquele campus que provocou uma ira tão grande, uma agressão coletiva inesperada. Qual foi o estopim para o episódio? O que leva um grupo de pessoas jovens, que deviam ser tolerantes e liberais, especialmente com um igual, a reagirem com uma atitude tão reacionária que gera até violência?

Muitas perguntas foram feitas, muitas hipóteses foram levantadas, tanto para a atitude da moça, quanto dos agressores ou da Universidade, que cometeu a estupidez de explusar a moça por “conduta indecorosa”. Concordo que uma empresa possa definir um dress code compatível com seus valores e sugerir que eles atendam aos padrões, mas a Universidade é e deve ser livre. Portanto a expulsão foi absurda mesmo e a volta atrás foi ridícula.

Entretanto, a pergunta que eu faço e para a qual busco explicação é “como tudo isso começou?”. E tenho um palpite muito forte de que tudo começou com uma disputa entre a moça de pink e outra ou outras meninas, colegas, que incitaram uma ação sem pensar nas consequências. Começaram apenas com insinuações, sobre como a moça era inconveninete, como a roupa era uma agressão às “boas meninas” que estudam na escola. Começaram uma coisa burra, pensando que criariam uma onda de antipatia apenas, mas  perderam o controle.

Minha opinião, consolidada por muitos eventos da minha e de outras carreiras femininas, é que o maior predador que uma mulher pode encontrar na vida é outra mulher. Mulheres podem ser muito cruéis, especialmente com outras mulheres, pois sempre sentem-se ameaçadas quando uma outra toma atitudes desafiadoras que elas gostariam, mas não têm coragem de tomar. Estou certa que esse foi mais um caso em que mulheres inseguras criaram um ambiente agressivo, manipulando outras pessoas, seus colegas do sexo masculino e feminino, provocando quase uma tragédia.

A situação, claro, revelou outros problemas sérios, como a baixa qualidade das organizações que deveriam ser pioneiras no desenvolvimento de ideias e na evolução do pensamento, assim como o crescimento do preconceito e da ignorância no País.

Considero fundamental que as pessoas que pretendem deixar para seus filhos uma herança de modernidade, respeito e tolerância não deixem de usar esse exemplo como um aviso e um alerta! Minha geração brigou muito para mudar os valores tradicionais, buscar a liberdade sexual, a liberdade de escolher o que ser na vida.  Não é aceitável que se volte atrás nessas conquistas.

Vamos deixar as meninas usarem vestidos curtos, pink, vermelho, amarelo, de todas as cores. Vamos garantir que as meninas sejam livres para escolher o que vestir, especialmente quando são jovens, querem ser mais bonitas, mais sexies e seduzir os meninos.

Por Maria do Carmo Marini

Há dez anos trabalhando com pessoas, seu desenvolvimento e o que elas querem dizer ao mundo, minha formação eclética me levou a viver experiências profissionais mais lúdicas e generosas . Escrevo artigos e livros, além de produzir conteúdo moderno, bem fundamentado e num visual extremamente prazeroso para clientes de diferentes segmentos.
Faço parte de uma tribo otimista e alegre e acredito que o mundo tem potenciais inexplorados e fascinantes a serem descobertos. Considero a família – marido, filhos, netos, irmãs e irmãos – meu porto seguro. Curiosidade e paixão pela vida me fazem aprender e buscar coisas novas sempre. Adoro gente inteligente e elegante. Viagens, cinema e livros me encantam, bem como encontrar os amigos para compartilhar boa comida e boa bebida. Estou sempre disposta a compartilhar experiências, conhecimentos e estórias.

Minha formação viaja de Engenharia Elétrica, passa por Consultoria de Carreira e Desenvolvimento de Pessoas, e mais umas coisinhas. Passo a vida a aprender, o que me permite produzir conteúdo de qualidade e compartilhar informações interessantes nas mídias sociais. Tenho especialização em Comunicação Corporativa pela FGV, Curadoria do Conhecimento pela Inesplorato e pós-graduação em Consultoria de Carreira pela FIA-USP. Sou parceira estratégica do Escritório de Carreiras da USP.

4 respostas em “A moça de vestido pink ou a cara feia do preconceito”

Oi Carmo, tudo bem?
Sabe, acho esse assunto da Geysi um tanto irritante. As mídias acharam um nicho de exploração, massificação e sensacionalismo que até duvido da seriedade da imprensa brasileira.
Deixando de lado essa garota (coitada!), gostaria de saber quais são os melhores tipos de penteados para usar no ambiente profissional.
Parabéns pelo site,
Carol

Tem razão, é horrível que, após tantas conquistas femininas tenhamos que lidar com uma situação imbecil dessas. Não vamos alimentar esse assunto porque não tem a ver com gente inteligente e elegante mesmo.
Sobre como usar o cabelo de trabalho, veja o post de hoje.

acho que temos liberdade de expressao livre arbitrio pra vida em tudo mas acho que devemos ter senso na hora de nos vertir, no local de trbalho na escola em cada ocasiao devemos ser seletivos na escolha de roupa. mas o que vizeram com aquela moça nao acho correta e a vida dela e ela usa o que quizer e problema dela. agora ela devia ter trocado a roupa ao terminar a aula se ela planejava sair certo.

Vanuza

O assunto é polêmico e, se você examinar bem de perto verá que cada um reage de acordo com seus valores para enfrentar situações delicadas na vida. Lamentavelmente, nem sempre ao reagir, pensamos no limite estabelecido pelo direito do outro.

Obrigada

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