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8 de Março – Não Queremos Flores, Queremos Direitos

Confesso que sempre tive muitas dúvidas a respeito desse “Dia da Mulher”. Seria uma homenagem, seria uma forma de reforçar os preconceitos, ou talvez uma nova maneira de segregar-nos, separando-nos dos homens?

Recebi hoje de um grande amigo que é um feminista de verdade

Usando-me como referência, afinal sou uma engenheira formada no início dos anos 70, acreditei que a diferença de direitos era alguma coisa que em pouco tempo seria sanada. Fiquei até um pouco distante dos movimentos feministas iniciais porque me passavam a ideia de que deveríamos, nós mulheres, ser iguais aos homens, algo que nunca me agradou. Claro que não era nada disso, a busca sempre foi por igualdade de DIREITOS, mas eu não entendia (às vezes somos tão burras, não?).

Feministas brasileiras – década de 60

Apesar de muitos deslizes (durante algum tempo achei que a única maneira de crescer na carreira seria sendo “um dos rapazes”), alguns deles bastante graves, aos poucos fui aprendendo que ao explorar minhas características femininas eu não estava sendo canalha como considerava algumas mulheres que se aproveitavam de seu próprio fascínio para subir na vida – tenho um termo mais pesado para isso, mas não seria adequado. Hoje até sou capaz de compreender essa forma de sobrevivência quando mulheres sem capacitação adequada usam atributos femininos não compatíveis com o desenvolvimento profissional, coitadas.

Nada como a maturidade para trazer mais compreensão, solidariedade e empatia, rss.

Feministas Russas (talvez ucranianas) início do século XX

Enfim, voltando ao assunto objeto desse artigo, chegamos outra vez na tal Dia da Mulher (vejam que até aprendi a usar letra maiúscula, o que prova que aceitei a data como válida). Sei que ele foi escolhido em homenagem a mulheres corajosas que deram sua vida em busca de direitos aos quais não tinham acesso, o que é louvável, claro. entretanto, o que realmente me motiva a aceitar a comemoração é verificar, baseada em dezenas, ou talvez milhares de pesquisas, o quanto ainda precisamos evoluir para ter direitos iguais aos homens

Minha amiga, a futurista Beia Carvalho, divulgou um estudo recentemente que conclui que, na velocidade em que as mudanças estão acontecendo, levaremos ainda 214 anos para ter oportunidades iguais aos homens. Entendeu bem? 214 anos!!!

Conclusão: todos são bem-vindos na luta por mudar esse significativo gap, não apenas nós as mulheres, mas os homens também, nossos pais, filhos, maridos, amigos.

Como Beia fala, temos pressa! É hora de diminuir esse tempo, de deixar de fingir que podemos ser o que queremos, como muitos discursos apregoam, sem ajuda nenhuma. Só o fato de estarmos vivenciando uma guerra de conquista em pleno século XXI, coisa de séculos passados, incompatível com a atualidade, mostra que voltar no tempo é possível. Isso é razão suficiente para avançar e, principalmente, não voltar atrás nem um único milímetro.

Ufa! Militância aquece qualquer coração!

PS: andei procurando fotos de homens e mulheres lutando juntos, tanto no Google como em aplicativos de fotos e, vocês não vão acreditar, sempre aparecem fotos de mulheres e homens lutando um contra o outro. Fiquei com vontade de chorar. Aí busquei homens e mulheres parceiros e, adivinhem, achei um ou dois sites com fotos que trazem os dois relacionados a trabalho ou luta, o resto apenas em romances, férias, viagens.

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Venha 2022, estamos prontos!

Muitos dirão que não existe diferença, um dia ainda estamos em 2021 e no dia seguinte estamos em 2022. É o mesmo sol – ou chuva -, é o mesmo frio – ou calor, o mesmo ambiente, as mesmas pessoas… Tem aí uma certa verdade, os dias podem ser iguais. Mas, a mágica de poder encerrar um período e começar um novo existe, com certeza.

Parar uns minutos, avaliar os meses passados, somar vitórias e repensar as derrotas dos últimos 365 dias é uma maneira linda de encerrar ou retomar o que nos fez agir como agimos, aprender o que aprendemos, amar quem amamos, ganhar e perder o que buscamos. Este break só é possível porque alguém se deu ao trabalho de dividir o tempo, de uma tal forma a nos dar oportunidade de reiniciar.

Recomeçar é um presente do Universo, mesmo que façamos as mesmas coisas, porque no ano novo elas terão um sabor diferente. Planejar nossas próximas buscas e objetivos a atingir ou decidir apenas deixar-se surpreender pela vida, seja qual for a escolha, é algo possível e saudável neste momento de mudança, mesmo que ela seja imaginária.

Eu quero despedir-me de 2021, desejando que cada um de nós possa lutar por algo importante, deixar pra lá aquilo que não é, sonhar e realizar sonhos grandiosos ou simples, amar de maneira incondicional, compartilhar nosso melhor com todos e viver intensamente cada momento.

Voltamos em 2022!

Fotos Unsplash e Google

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Hora do Balanço Anual

Hoje acordei pensando no ano que está acabando, com todas as dificuldades que tivemos que enfrentar e toda a insegurança sobre o futuro que nos espera. Concluí que, apesar dos pesares, 2021 foi um ano vitorioso. Sem dúvida o fato de ter uma família amorosa, amigos atenciosos e ter acesso a cuidados de saúde de qualidade fizeram muita diferença. Filmes ótimos foram lançados, livros de todos os tempos foram lidos ou relidos, Valentino Rossi participou de sua última corrida na MotoGP, num momento emocionante… Mas, tem mais.

Neste ano aprendi mais sobre mim mesma. Creio que o autoconhecimento é fundamental para fazer valer o tempo. Profissionais que não sabem quem são (e mesmo quem já não trabalha mais) têm mais dificuldade em reconhecer suas vitórias e os pontos em que podem melhorar para ser um ser humano pleno. Por exemplo, eu soube claramente que sou disponível demais para pessoas que não me dão a devida atenção. Sabe, aquele que você está sempre pronto, mas que nunca tem tempo para ajudar você?Aprendi que equilibrar as coisas é necessário para evitar desapontamentos.

Foi um ano em que ter suporte foi fundamental, seja de família, de amigos, de parceiros, equipes de trabalho, lideranças. Bem, neste quesito, tive que enfrentar algumas frustrações. Sabe como as resolvi? Mudei a direção. Alguém não quis meu trabalho? Dane-se, tem quem quer. Fui atrás de outras formas de disponibilizar o que criei e deixei pra lá.

Descobri – ou resgatei – outras formas de satisfação. Não, não iniciei novos hobbies, não comprei uma casa na praia, nem fiz o Caminho de Santiago, não virei um biker fanático, nada grande. Entretanto, voltei a jogar Pokemón. Coisa de criança, eu sei, e nem sou boa no jogo, mas adoro e troco informações com meu neto, que tem a idade certa para isto. Trabalho remoto, sem dúvida, evitou muitos deslocamentos e horas perdidas, que preenchi com muita leitura e cinema via streaming.

Ajudei pessoas, com escuta super ativa, buscando compreender seus problemas e tentando buscar soluções. Estive lá para amigos, conhecidos e até desconhecidos que precisaram de recursos de toda natureza, para tocar a vida, para definir caminhos de carreira, para elaborar planos e projetos. Isso é realmente da minha forma de ser, mas em tempos sombrios, um número maior de seres humanos buscam ajuda fora de si mesmas e eu exercitei esta característica mais do que o normal.

Adoro esta foto, nem sei quem é o autor, mas para mim é a cara da colaboração

Você está se perguntando porque eu resolvi falar do meu ano? O que você ganha com isso? Por que eu acho que este assunto vai interessá-lo? Bem, li hoje um artigo falando sobre quão importantes são estes pontos para avaliar a qualidade do ano. Portanto, tenho uma sugestão: pergunte-se como responderia às perguntas que fiz para mim mesma e que resultaram nessas respostas. Muitas vezes reclamamos sem uma análise mais profunda e, ao final, podemos mudar de ideia. Se você responder positivamente, sem dúvida, seu ano foi muito bom!

Todas as fotos foram copiadas do Google.

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Desafios da Liderança

Existem muitos líderes que se acham bons e acreditam que não precisam aprender mais nada. Claro que o simples fato de não ser mau, já faz uma boa diferença. Mas, que tal ser um ótimo líder? Certamente isso vai se refletir no desempenho da equipe, no resultado final e, quem sabe até, esse cara pode se tornar uma referência na sua empresa.

Enfim, aqui vão algumas dicas para passar de uma estágio ao outro. Uma primeira atitude que vai carregar você para uma melhor posicionamento é você demonstrar confiança na sua equipe. O medo de que alguém cometa um erro pode fazer com que você centralize tudo e as possibilidades de seu time se desenvolver ficarão limitadas. Se existir alguém em que você não acredita, trate de ajudar a melhorar ou troque por alguém mais eficiente. Faça isso com muito critério, pois muitas vezes uma ajudazinha pode transformar um “mais ou menos” num excelente colaborador.

Ah, elogie a equipe sempre que o trabalho seja bem feito. Tenho certeza de que eles apreciarão seu reconhecimento, mesmo que não venha imediatamente acompanhado de aumentos salariais ou outros prêmios pecuniários imediatos. Mostrar que você é capaz de enxergar os esforços deles e como os aprecia vai criar boa vontade e mais dedicação.

Preste muita atenção aos pontos fortes de cada membro do grupo, só assim poderá relacionar habilidades com tarefas. Mostre o quanto um conhecimento ou experiência pode ser bem aproveitado no projeto que está coordenando, vai reforçar a confiança de todos. Estimule a cooperação e esclareça o quanto cada capacitação pode ser reforçada pelas outras.

Muito importante também é mostrar o quanto as tarefas são fundamentais para os resultados. Conte sempre sobre os ganhos que o time ou a empresa tem – ou terá – com o trabalho deles. É horrível para qualquer um não saber porque está trabalhando e se esforçando.

Ao final de um projeto, não deixe de pedir um feedback do seu desempenho como líder. Saiba o que poderá fazer melhor da próxima vez e deixe claro que está considerando a opinião de todos. E use essas informações para melhorar, sempre tem espaço para mais. Assim você chega lá.

Fotos: Taxila Business School e de sites encontrados no Google

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Lidando com Feedback

Noto, com bastante preocupação, que as mulheres são muito mais sensíveis aos feedbacks do que os homens. Talvez tenha a ver com resquícios de uma formação que nos ensinava a ser bonitinhas, boazinhas, gentis, elegantes… Por mais que isso esteja fora de moda, de alguma forma trazemos em nossa memória atávica séculos de ensinamentos de humildade.

Seja como for, as formas de feedback podem ser diferentes, mas sempre parecem afetar a auto-estima feminina. Muitas vezes, uma brincadeira pode magoar e fazer uma pobre mulher buscar maneiras de corrigir o que parece estar errado. Elas não se detêm muito em pensar, digerir, buscar o real significado de um comentário pouco elogioso.

Elas não apenas levam a sério os feedbacks negativos, como sofrem com eles, sentem com o coração. Ao fazer uma auto-avaliação, as mulheres têm maior possibilidade de se convencerem de que precisam melhorar em algo, mesmo que comentado por acaso. Os homens são menos propensos a fazer o mesmo e no geral, acham que seu desempenho é bom, a menos que seja claramente especificado que não é.

Certamente as mulheres podem melhorar sua maneira de ver os feedbacks e a si mesmas se decidirem pensar um pouco mais no assunto. Receber críticas não é agradável para ninguém, mas é preciso dar a real dimensão ao fato, você não é única. Isso não significa que estou recomendando ignorar seus sentimentos, pelo contrário, viva-os e descubra porque está sentindo dor e desgosto. Só então deve pensar numa reação objetiva, sem exageros ou aflição. Tenho certeza de que descobrirá que, mais do que o que foi dito, sua mágoa se refere ao quanto você quer ser admirada.

Uma forma muito efetiva de sair fora desse momento negativo é perguntar a quem lhe deu o feedback quais são as sugestões dela ou dele para você corrigir ou melhorar seu desempenho. Muitas vezes, a pessoa nem sabe bem o que queria dizer, especialmente se não for um processo formal. No entanto, se você ouvir sugestões de melhoria, crie uma lista de ações para obter um desempenho mais adequado. Nunca sem antes ouvir outras opiniões.

Fotos copiadas do Google e um recorte de Unsplash (Firmbee.com)
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Leve o trabalho a sério, mas cuide da sua vida

Confesso que andei abandonando meus posts sobre carreira. Tenho visto tanta coisa legal que me sinto meio inútil, acho que tudo já está dito. Porém hoje recebi uma solicitação de amizade no Linkedin, cujo interesse é conversar sobre carreira e resolvi voltar com algumas coisas rápidas.

Lembrei da minha vida de executiva workaholic, sempre correndo, sempre cansada, sem tempo para cuidar de contatos ou aprendizados, destruindo minha vida familiar e social. Resolvi falar com quem tem esse tipo de atitude: não faça isso consigo mesmo, não vale a pena ser burro de carga de nenhuma empresa ou chefe. Sabe o que acontece? Você vai receber mais e mais tarefas, todas aquelas que ninguém está a fim de assumir, sem aumento de salário ou mesmo de reconhecimento. Não acredite que ser workaholic é sinônimo de ser um grande profissional.

Essa história de ficar mandando e recebendo emails nas madrugadas, no geral, é vista como insegurança, as pessoas acreditam que é apenas um meio de se mostrar presente. Esclareça com equipe e chefia que os emails da madrugada só devem ser enviados para você em caso de emergência, tipo incêndio, roubo, acidente ou morte. Todo o resto pode esperar pelo amanhecer.

Se tiver ideias geniais relacionadas ao trabalho (meus pensamentos mais produtivos e criativos sempre são à noite, depois que a casa está em silêncio, portanto eu compreendo isso muito bem), tenha um caderninho e um lápis na mesa de cabeceira para anotar. Parece coisa antiga, mas é muito útil, mesmo em tempos de conexões imediatas como os que vivemos.

Lembre-se que um cérebro e um corpo cansados têm baixo rendimento. Da mesma forma, pessoas com problemas em família ou com amigos começam a criar angústia e frustração. Ambos sentimento farão você perder qualidade de desempenho. Vá lá, crie espaços para tudo o que é importante na sua vida, integre trabalho e vida pessoal que você estará, sem dúvida, sendo um profissional e um ser humano melhor.

Todas as fotos foram copiadas em sites encontrados no Google.

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Essa professora especial: a natureza

Precisamos sobreviver… nosso mundo está no limite, à beira do esgotamento e as mudanças climáticas, as doenças e até essa pandemia que nos assola no momento, são avisos para que os seres humanos busquem alternativas ao uso indiscriminado dos recursos naturais.

Esse não é um discurso de militante ambiental, é apenas a manifestação de minhas preocupações com o mundo em que nossas crianças vão viver. Ao mesmo tempo, é um chamado aos profissionais interessados em oportunidades de carreira inovadoras e colaborativas com o futuro.

Os desafios impostos por um planeta superpovoado, com uma natureza exaurida e meios finitos exigem não apenas que sejam criadas formas de sustento das populações, como diferentes abordagens para gerir as pessoas e os negócios com maior eficiência. Vai daí, andei estudando um pouco a respeito e descobri (tardiamente, claro) que uma área em pleno desenvolvimento vem se tornando fundamental para criar possibilidades de termos soluções de curto prazo aqui mesmo no planeta Terra: a Biomimética.

Não conhecia o termo? Nem eu. Senti-me ignorante e ultrapassada, e fui correndo estudar. Na verdade, tenho certeza que, tanto você como eu sabíamos da existência desse tipo de abordagem, mas faltava a teoria.

A Biomimética estuda as estruturas biológicas e as suas funções, procurando aprender com o meio ambiente, suas estratégias e soluções, e utilizar esse conhecimento em diferentes domínios da ciência. Ela busca por soluções inovadoras, copiando o comportamento dos seres vivos. Os biomimeticistas (não sei se o termo existe…) trabalham com a natureza como modelo, inspirado-se nos sistemas usados por animais, plantas, fungos, algas e até bactérias. Este ramo da ciência permite desenvolver ou aperfeiçoar novas soluções de engenharia, estimular novas ideias, sendo que os biomimeticistas encontram na Natureza um modelo perfeito de inspiração e de imitação.

Este campo de estudo e trabalho proporciona o desenvolvimento e aperfeiçoamento de respostas a questões de engenharia, medicina, TI, cosmética, construção, reflorestamento, eficiência energética, embalagens, sistemas de produção, linhas de montagem e de transporte e tantas outras que não dá para imaginar. Enfim, essas são as ações já desenvolvidas ou já em desenvolvimento. Certamente, o futuro trará muitas outras.

Trabalhar e estudar em Biomimética proporciona o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de respostas a questões de engenharia, medicina, TI, cosmética, odontologia, construção, reflorestamento, eficiência energética, embalagens, sistemas de produção, linhas de montagem e de logística. Enfim, essas são as ações já desenvolvidas ou em desenvolvimento. Fiquei extremamente impressionada com o avanço do tema, inclusive no Brasil. Depois que comecei a pesquisar sobre o assunto, me apaixonei e encontrei até uma página no Facebook para seguir.

Esta é mais uma possibilidade de trabalho e emprego para profissionais de várias áreas. Já em 2014, a Revista Forbes apontava a biomimética como uma das principais tendências que irão orientar os negócios no futuro. É economia circular, é trabalho colaborativo, é engenharia, biologia, design, negócios e todas as áreas com visões complementares. É moderno, socialmente responsável, curioso, um desafio para mentes voltadas para o futuro.

Biomimética traz até mesmo fundamentos para lidar com desenvolvimento pessoal e comportamento humano. Alguns gestores mais visionários têm utilizado treinamentos junto à natureza, buscando os links entre processos naturais colaborativos e de gestão corporativa. Bem, preciso estudar bem mais sobre esse segmento, mas acredito que vai render bastante conversa por aqui.

Resumindo, se você está buscando trabalho inovador, alinhado com sustentabilidade e colaboração essa é uma atividade que encaixa em você. Da mesma forma, se você é um empreendedor cheio de ideias arrojadas e ousadas, vá atrás de parceiros que complementem seus conhecimentos e crie coisas realmente importantes para todos nós.

Ressalto, entretanto que não é apenas uma maneira de ganhar dinheiro, mas é de contribuir para a região onde mora e mesmo para o mundo todo e construir um futuro melhor para seus filhos e netos. Achei uma definição que realmente me abalou: é a economia do significado.*

Fotos: todas copiadas do Google, mas cada uma delas vinda de reportagens, estudos e empresas que utilizam a biomimética no desenvolvimento de seus produtos e projetos.

* Daniel C. Wahl, biólogo, cientista holístico, PhD em design para sustentabilidade - autor de Designing Regenerative Cultures.

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Auto sabotagem de novo? Vamos parar com isso?

Acho que esse é um dos maiores pecados que podemos cometer, tanto em se tratando de carreira quanto do dia a dia. E é tão fácil! Criamos barreiras que na verdade não existem a não ser em nossa imaginação e ficamos paralisados sem saber como continuar. Deixando de lado razões psicológicas e traumas infantis, dá para perceber que fazemos isso sempre que não acreditamos nos nossos merecimentos, tentamos nos punir por coisas que nem temos consciência ou buscamos desculpas para a falta de foco e a procrastinação.

Começamos por criar expectativas irrealistas. – Ah, quero jogar tênis igual ao Nadal! – Vou ser uma modelo famosa como o Gisele! – Serei bilionário em cinco anos! Seria bom, né? No entanto, quando a expectativa não se realiza, simplesmente porque não é realizável, o que temos são os desapontamentos, a perda da auto confiança, o esquecimento das nossas qualidades e capacidades.

Vou lhe contar alguns aprendizados que andei encontrando nas minhas pesquisas. Eles poderão ajudar a quem quer deixar a auto sabotagem para trás.

A primeira coisa que podemos fazer para parar com esse comportamento destrutivo deve ser aceitar os fracassos como coisas naturais, mesmo que não sejam passíveis de palmas. Deixando de mergulhar na culpa, você achará coragem para levantar a cabeça e prosseguir. Fingir que a falta não é sua, só vai trazer mais problemas. Aceite, reconheça que errou, peça desculpas se achar necessário, e vá correndo consertar. Aprenda ainda como evitar que a situação se repita. Fácil? Claro que não, onde deixamos nosso amiguinho Ego, esse sujeito que nos cobra mais do que as pessoas da nossa vida?

Não se deixe dominar pelo pensamento de que tudo tem que ser perfeito. Nem sempre é possível chegar num resultado que não deixe brechas para melhoras. Se você correr atrás da perfeição no lugar de fazer o seu melhor, sempre sairá frustrado. Mesmo sabendo que o produto de seu esforço possa não ser perfeito, dedique toda a sua atenção ao trabalho pelo qual foi responsabilizado. Peça ajuda, se precisar, alguém que possa levá-lo um passo adiante. Muitas vezes, com um pequeno palpite de uma pessoa não diretamente envolvida no problema, poderá evitar horas de tentativas frustradas que você gastaria para encontrar a melhor solução.

Sei que quando estamos com dúvidas sobre como lidar com um trabalho ou um problema, é mais fácil deixar para amanhã. Você pode dizer a si mesmo que amanhã estará menos cansado, que trabalha melhor pela manhã, que hoje está com dor de cabeça. Enfim, desculpas certamente não faltarão. Procrastinação, todavia, é seu pior inimigo. E nem estou me restringindo apenas a situações de trabalho. Você pode fazer isso com problemas pessoais e familiares, esteja atento.

Deixe de se enganar, contando a si mesmo a falácia de que não tem tempo agora, terá mais tarde, noutro dia, noutro mês, noutro ano. Essa mentira é comum para adiar algo que, no fundo, você não quer fazer, seja pela razão que for. Quando uma situação dessas surgir e você não tiver escolha senão fazer a tarefa, seja objetivo. Marque data e horário para o término do trabalho. E cumpra! Não se deixe distrair ou perder o foco.

Ao afrontar uma incumbência aparentemente muito difícil, não pense que vai falhar antes de iniciar. Demita a insegurança, acredite na sua capacidade e vá em frente com confiança. Se tropeçar, peça ajuda. Insisto nisso porque muitas vezes as pessoas consideram pedir ajuda uma espécie de fraqueza. Aprenda que não é, pedir que alguém lhe dê apoio em situações complicadas mostra sua preocupação em fazer o melhor, além de dizer ao seu colega que confia nele. Claro que é bom retribuir sempre que possível.

Deixei para o final uma coisa que tem a ver com as pessoas da minha idade, a crença de ser muito velho para determinada atividade. Bobagem, deixe o ageísmo para os imbecis, preconceituosos e superficiais, que julgam as pessoas pela aparência. Os “velhos” deixaram de ser velhos há muito tempo. Agora são atletas, músicos, escritores, poetas, criadores, motoqueiros, ginastas, nadadores e até modelos. Existem centenas de exemplos de pessoas entre 60 e 100 anos que estão recebendo prêmios em atividades que antes eram consideradas exclusividade dos muito jovens. Inspire-se nelas, se você é um cara maduro.

Concorda que dá para fazer tudo isso? Vale a pena, posso afirmar. Novidades sempre trazem recomeços interessantes para todos nós.

Fotos: Dylann Hendricks e Alysha Rosly (em Unsplash) e Google

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Xô, Discriminação por gênero

Nos tempos que estamos vivendo, discriminação por gênero é um termo que deveria ter sido apagado da nossa fala. No entanto, ainda existe e, mesmo as mulheres, nem sempre estão cientes de seus preconceitos invisíveis (ou até visíveis) contra outras. Sei lá, inveja, vontade de ser igual, até simples antipatia podem ser os geradores em colegas do sexo feminino. Talvez a herança atávica que, mesmo não fazendo mais sentido, ainda trazemos, competindo pelo melhor ser masculino. O preconceito dos homens é mais fácil de identificar e tem a ver com anos de educação machista.

Vai daí, decidi perguntar: o que podemos fazer para mudar essa realidade meio escondida?

Estudei um pouco e, simplificando, tenho algumas dicas de especialistas para dividir com vocês. (*)

Dê uma olhada no que pode fazer imediatamente por você, mesmo sem entrar em um movimento feminista radical.

Antes de mais nada, ignore, finja que não vê. Isso não significa que você vai deixar de acreditar que existe. Mostre-se com autoridade, não se acanhe. Logicamente, sozinha e em um instante você não conseguirá apagar anos e anos de comportamento viciado, mas poderá iniciar um movimento seu, que a ajudará a consolidar uma imagem forte.

Enquanto isso…

Reforce sua presença, começando por ocupar o espaço físico devido, sem andar curvada, encolhida ou tentando minimizar-se. Use a respiração para acertar sua postura e para apoiar sua voz. Cabeça erguida e voz segura mudam a maneira que os outros enxergam você.

Fique calma, mesmo que a situação seja desagradável demais. Aprenda a manter a serenidade, fazendo exercícios de controle da respiração em casa duas, três vezes ao dia. E, não esqueça, faça pelo menos um antes de apresentações importantes.

Com o tempo, você será reconhecida como uma figura de autoridade no que faz, seus colegas irão ouvi-la e respeitá-la muito mais e sua autoconfiança vai crescer e você lidará cada vez melhor com o preconceito.

Lembre-se sempre que modéstia é um pecado, não uma virtude, como foi ensinado pela religião e pelos bons costumes. A primeira pessoa que deve respeitar e acreditar em você é você mesma.

E volte aqui pois trarei outras informações que poderão fazer sua vida mais fácil.


(*) Inspirada por Megan Hamilton, especialista em oratória, visibilidade e confiança em Kingston, Ontário. Ela é uma atriz com formação clássica e também uma musicista profissional com cinco gravações, tendo feito turnês pelo Canadá e os EUA.

Fotos copiadas do Google.

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Jogando Conversa Fora

Esta é a guerra da minha geração

Fiquei impressionada quando ouvi a frase: “Esta é a guerra da minha geração.” Foi dita por uma pessoa da minha idade, dessa geração dos Baby Boomers, que soube sobre as guerras pelas histórias dos seus pais e avós. O que me deixou mais chocada, no entanto, foi o fato de não ter antes identificado o momento com essa precisão.

Sem dúvida, a pessoa que falou isso tem mais familiaridade com o tema, pois nasceu numa Europa destruída, em fase de reconstrução e dominada pelos países vencedores. Para essas pessoas a guerra foi muito mais presente, mesmo sendo vista pelos olhos de seus genitores. As consequências foram reais e eles sofreram durante toda a sua infância.

Para nós, no Brasil, as Guerras Mundiais chegaram muito suavizadas, pois poucos brasileiros tiveram parte ativa nos conflitos. A Primeira Guerra Mundial foi a de nossos avós, no início do século. Somente uns poucos brasileiros estiveram na França durante o conflito e apenas depois de a guerra chegar quase ao final. Se eu pensar bem, não lembro de ouvir sobre esse assunto na minha casa ou na minha cidade.

A Segunda foi a de nossos pais e mães, em 30/40 quando eles estavam saindo da adolescência, iniciando a vida adulta, tentando fazer de seus sonhos juvenis uma realidade bonita. Eram capazes de entender e tomar partido e foi o que fizeram, de acordo com as máquinas de propaganda dos contentores.

Na minha cidade vivia um piloto que participou da guerra na Itália e escreveu um livro a respeito, contando a experiência mais como uma aventura do que algo muito cruel. Acho que foi a maneira que ele encontrou para exorcizar seus fantasmas. Eu o conheci mas, nas poucas vezes em que nos encontramos, ele não falou a respeito do assunto. E eu não perguntei, com receio de abrir cicatrizes ainda não totalmente curadas.

Meu pai que tinha um grande interesse pelas histórias da II Guerra e incutiu o mesmo em mim e nos meus irmãos, deixando de herança a mesma curiosidade. Vi muito filmes, reportagens e documentários, além de ler livros e mais livros sobre o assunto. Até hoje eu o faço, sempre tentando entender as razões que levam países a viver esse tipo de experiência.

Posso até ser acusada de faltar com o respeito com os mortos naquelas guerras, que foram num número muito maior, mas o que caracteriza a atual é a falta de sentido, mesmo que distorcido, que outras guerras tinham. Pensando sobre a “Guerra da Minha Geração” e comparando com as duas últimas, o mais complicado é a dificuldade de saber quem é o inimigo. Não temos dois lados, lutando por seus valores e crenças, temos uma humanidade assustada, governantes confusos criando regras conflitantes e profissionais de saúde lutando para fazer a coisa certa contra uma doença que tem algumas preferências, mas ameaça a todos.

As informações a que tive acesso mostram que minha geração é a que corre maior risco. A Europa está sendo destruída aos poucos, pois tem uma população mais velha. Em outros países, também, a faixa mais afetada e que tem o maior número de mortos é aquela com mais de 65 anos. Na África, com uma população mais jovem, a doença não tem sido tão impiedosa.

O Japão e a Coréia têm lidado relativamente bem com o vírus, mas no Japão o número de suicídios aumentou consideravelmente, principalmente entre as mulheres. A causa? O confinamento e a desesperança.

Estamos todos esperando por uma vacina e os laboratórios têm trabalhado sem descanso nessa busca. Entretanto, essa é uma solução que a mim não tranquiliza completamente. Ah, claro que vou tomar a vacina, pelo menos para que ela me traga mais um pouco de liberdade de movimento e de tranquilidade.

A dúvida que me mantém acordada, noite a pós noite é: “por que todos esses importantes laboratórios investiram tanto esforço numa vacina sem garantia de resultado e não em uma medicação eficaz?” A resposta que me assusta é: “medicamentos serviriam apenas para uma parte da população. Melhor ter vacina, pois todos terão que usar, doentes e não doentes.” Com isso, mais dinheiro irá para essa indústria, da qual todos nós dependemos totalmente.

Espero realmente estar enganada… as teorias da conspiração estão todas aí para escolhermos uma, se quisermos. Se não quisermos, teremos que nos agarrar à esperança e ao otimismo para dormir à noite e iniciar o novo ano acreditando no melhor.

A cada nova onda e novas cepas, vejo mais e mais brigas sem sentido, a politização do assunto, a crueldade com que as pessoas julgam quem não tem a mesma opinião. E, muito depressa, minha fé na humanidade e na sua capacidade de construir um futuro melhor vai se extinguindo. Não quero mais falar sobre o assunto, esse é meu último desabafo.

Sigo na minha vida, curtindo o que ela me traz de bom e agarrando-me a somente a um resquício de esperança. Quem sabe as crianças pequenas, que estão sendo criadas nesse mundo distópico de pessoas mascaradas, serão capazes de construir uma realidade muito melhor, liberando-nos para sorrir outra vez.

Fotos obtidas no google sem indicação de autoria

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Olha só o cotovelo… virou star

É a reunião anual das partes do corpo. Todos estão muito excitados. No geral, essas reuniões servem para contar vantagens, falar de algum desempenho excepcional ou mesmo reclamar das novas doenças que atingem cada órgão todos os anos. De qualquer maneira, mesmo em anos mais difíceis, são ótimos encontros, divertidos, cheios de música e flores. Quem sempre se alegra mais do que todos é o cérebro, pois tudo passa por ele antes de chegar aos outros.

Esse ano a reunião tem uma atração a mais, o Engenheiro Criador, uma espécie de Stan Lee do corpo humano. Ele vem, quase sempre em intervalos de 10 anos, para conversar com todos, contar as inovações que está pretendendo, ouvir sugestões de como melhorar o projeto e até atende a uma ou outra demanda.

A cada visita o Criador escolhe, entre todos os pedidos, somente um para atender ou mesmo nem atende a qualquer um. Esse ano não será diferente. Na última vez que veio, quem reclamou foi o cabelo, porque estava perdendo força e caindo muito em muitos casos. O EC prometeu a ele que alguns remédios, recentemente inventados pelos usuários, iriam melhorar esse problema, mas o cabelo acha que houve muito pouco progresso e está meio descontente.

Todos estão excitados, esperando a vez de apresentar suas reivindicações, com a possibilidade de ter seus desejos realizados. O cérebro, como sempre, vai pedir mais capacidade. O coração, sem dúvida virá com aquela lenta-lenga de sempre, falando que como os humanos acreditam que ele é responsável pelo amor, deveria ser capaz de realmente se apaixonar sempre.

A mão esquerda, ah, essa é uma eterna chata, vai reclamar que a direita é privilegiada, mais capaz de produzir. Como em outras ocasiões, o EC vai responder que, em alguns casos, mudou essa realidade, fez muitos canhotos. Entretanto, não pode mudar tudo, porque esse modelo vem funcionando desde sempre e ele não quer fazer mudanças radicais, por enquanto.

Claro, tem órgãos menos salientes, que quase nunca se manifestam, achando que seu papel não é tão importante assim para o funcionamento do corpo. É o caso do pâncreas, por exemplo, que descobriu, a partir de 1921, que, se der problemas, pode ser retirado e substituído por injeções ou bombas de insulina. Há muito tempo ninguém ouve uma palavra do pâncreas quando é a hora de falar com o Engenheiro.

O apêndice é mais um que fica silencioso num canto, pois seu papel na defesa do intestino é bem fraco e, se por acaso ele infecciona, precisa ser retirado com urgência, para não se tornar um problema realmente sério. E o intestino fica bem sem ele.

Todos sabem, sem dúvida, que existem outros que podem não ser imprescindíveis, pois se forem perdidos poderão ser substituídos por próteses ou reeducação. Uma perna, por exemplo, ou um olho, dentes, e todos os outros que estão aí para completar o conjunto, facilitando sua ação em harmonia.

O Engenheiro Criador chega no seu super carro, que circula entre nuvens, usando um combustível conhecido só por ele e brilhando ao sol. Senta-se na cadeira preparada para ele, uma cadeira simples, porque ele gosta de simplicidade. Ao fundo ouve-se o Bolero de Ravel, que ele adora, uma música com um único movimento que se repete, variando apenas de acordo com a forma que o arranjo é organizado. É o exemplo que ele cita para explicar como a simplicidade pode ter uma grande sofisticação.

A fila se forma e ele, pacientemente, ouve os que se apresentam, alguma apenas para saudá-lo, puxar os saco, sabe como é? Registra os pedidos com um olhar num moleskine de capa verde para lembrar-se sempre que desejar. Alguns pedintes se repetem sempre, e trazem os mesmos pedidos bobos. Ainda bem que a música o distrai, pois aparentemente hoje ele está meio sem paciência.

Eis que o fim da fila se aproxima e, quem vem lá? O cotovelo! O EC estranha, pois não lembra de ter atendido nenhum pedido do cotovelo nos últimos tempos. O cotovelo se aproxima e diz em voz não muito alta: “Senhor, gostaria de fazer uma observação e um pedido.”

Incentivado pelo EC, o cotovelo continua, desta vez em voz mais firme: “Creio que o senhor se dá conta que não sou um dos pedintes habituais, mas gostaria de chamar sua atenção para o fato de que os usuários do conjunto corpo mal se dão conta da minha existência.”

O Engenheiro ficou pensativo e falou: “Mas você tem um papel importante no conjunto. O braço se movimenta no seu eixo, sem você isso seria impossível. Como pode ser assim?”.

O cotovelo, com um leve sorriso irônico acrescentou: “Eu sei, mas eles não percebem. Só lembram de mim quando se machucam. Ou quando a pele que me cobre fica muito seca, aí vão atrás de cremes para me deixar suave. Ou quando me batem num canto de mesa e xingam, culpando a sogra por um pequeno choque com que eu os presenteio para que se lembrem de mim. A sogra, puxa! É muita humilhação.”

Foi aí que o EC falou: “Muito bem. Esse ano vou atender a sua demanda, cotovelo. O que você quer?”. O cotovelo, então disse: “Quero ser por um tempo um protagonista. Quero ser lembrado por todos. Quero aparecer na televisão do mundo inteiro.” O EC perguntou se isso era realmente o que ele queria, pois para atendê-lo teria que sacrificar muitos humanos. Como o requerente confirmou o que desejava, ele prometeu que atenderia.

Então, foi embora e criou… o COVID!

Agora, vemos em todos os lugares, as pessoas se cumprimentado com o cotovelo. Desde os mais simples até os dirigentes de países importantes, todos deixaram as mãos quietas, sem os tradicionais apertos, os abraços sumiram, os beijos nem se fala e, além de esconderem os rostos, cumprimentam-se, meio embaraçados, com os cotovelos.

E o cotovelo, vendo isso, derrama lágrimas de remorso, pois descobriu que seu desejo foi atendido em prejuízo de todos os usuários do conjunto corpo, pois eles estão ficando doentes e até morrendo.

Tudo o que ele quer é voltar para seu canto e apagar o pedido, mas não tem como. Enviou emails para outros órgãos pedindo ajuda, suplicando que eles reajam, não deixem a doença destruir mais. Conseguiu que um esforço concentrado seja feito mas, mesmo assim, ainda não chegou ao ponto de reverter o processo. Os pulmões são os mais afetados e lutam bravamente, mas muitos não são fortes o bastante.

O cotovelo quer esconder-se dentro de mangas bem escuras, mesmo nos dias mais quentes. Entretanto, a única coisa que ele pode fazer é aguardar ansioso por um remédio que dê fim a esse pesadelo. Como todos nós.

Nota: todas as fotos foram buscadas no Google, desculpem por não informar os autores.

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Outro pouco do meu Eu – parte II

Lembra que falei que iria mostrar a segunda parte da entrevista para o grupo GAS? Pois aqui está ela. Falar para meus conterrâneos foi um verdadeiro prazer. Minha cidade ainda mora no meu coração, num lugarzinho especial. Santa Maria é uma cidade média do Rio Grande do Sul, no meio do estado, razão pela qual é conhecida também como “Coração do Rio Grande”.

Em 2020 quase atingiu os 300 mil habitantes. É uma cidade fundada no século XVIII, mas tem dentro de seus limites diversos sítios arqueológicos. É limitada por morros – colinas não muito altas, também conhecidas como serras -, o que lhe rendeu o nome de Santa Maria da Boca do Monte durante muitos anos. É a entrada do pampa gaúcho que se prolonga para Argentina e Uruguai.

É uma cidade movimentada, com muitos estudantes vindos de todo o Estado e até mesmo de outros lugares do Brasil. E, aqui estou eu novamente, falando para alguns dos atuais moradores, contando minha história desde que a deixei.

Acima, as duas casas em que minha família morava, avós, tios, pais, filhos. Sempre fomos muito unidos e aqueles de nós que ainda estão por aqui continuam honrando essa união.

Agora, a entrevista.

Obrigada, mais uma vez a quem me deu a oportunidade, Anne Forgiarini, e ao meu entrevistador, Leonardo Forgiarini Guedes.

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Um pouco do meu Eu – entrevista para o GAS

Sou nascida e criada em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, Santa Maria. Vivi lá até os 22 anos, quando terminei a faculdade de Engenharia e fui para São Paulo, em busca de oportunidades e desafios que me fizessem crescer como pessoa e profissional.

Mais de quarenta anos depois que saí da terrinha, recebi um convite para falar para um grupo da cidade – o grupo GAS – e me senti feliz e emocionada. Afinal, compartilhar minha história com alguns conterrâneos me pareceu uma maneira de contar do meu orgulho e da minha gratidão a essa comunidade que contribuiu tanto para me fazer quem sou.

O grupo GAS é uma associação de pessoas ligadas à administração pública da cidade, criado pela Secretaria de Educação da Prefeitura do Município. Eles compartilham informações, histórias e conhecimentos utilizando o WhatsApp, o que está perfeitamente de acordo com os tempos que vivemos e viveremos num futuro próximo.

A primeira parte da entrevista tratou de minhas escolhas e minha vida na cidade. Quem quiser saber um pouquinho sobre de onde vim e do que me fez ser quem sou, veja o vídeo, que está no link abaixo:

Na segunda parte – próximo capítulo – falarei um pouco mais dessa cidade maravilhosa em que desfrutei de anos felizes e proveitosos e na qual sempre tenho prazer de estar.

Obrigada, Anne Forgiarini, por me abrir essa possibilidade e obrigada, Leonardo Forgiarini Guedes, por ser meu anfitrião.

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De olho numa promoção?

Estou compartilhando um resumo de cinco dicas de Alyson Garrido, coach de carreira americana, pois concordo e achei bom mostrar para mais pessoas. Veja abaixo, espero que ajude se você estiver buscando uma promoção.

Seja visível

Auxilie seus colegas sempre que puder

Colabore com os projetos dos outros

Participe de grupos de trabalho

Almoce com seus colegas em vez de comer na sua mesa

Use caminhos diferentes quando sair do banheiro e diga olá para colegas que encontrar no trajeto

Esteja presente em eventos corporativos não obrigatórios

Largue tudo

Quando disser a alguém que tem tempo para conversar, ajudar ou responder a alguma pergunta, largue e concentre sua atenção no outro

O telefone, o computador, os relatórios, tudo pode esperar para que você escute ativamente o outro

Leve em conta a maneira com que faz os outros se sentirem ao se aproximar de você

Você não precisa estar sempre disponível, mas quando diz estar, esteja totalmente

Seja pessoal

Saia do papel profissional e compartilhe alguma informação pessoal

Mostre que se importa, perguntando sobre família, férias, hobbies

Cuidado para não parecer intrometido, faça tudo com moderação

Use informações pessoais de seus colegas para construir camaradagem e confiança

Conquiste aliados

Escolha envolver-se naqueles projetos extras que poderão lhe trazer habilidades úteis aos seus planos de crescimento

Se estiver buscando um papel de liderança, seja mentor de colegas mais jovens, eles poderão falar de suas qualidades

Se quiser mudar de esquipe, veja se pode apoiar essa equipe, mostrando suas habilidades transferíveis

Seja seletivo na sua generosidade para ter certeza de que não está se espalhando demais

Não precisa correr

Essas ações não exigem que você corra

Quando você se move muito rápido, a possibilidade de cometer um erro aumenta muito

Reserve tempo para ler emails com mais cuidado

Não precisa responder todas as menagens imediatamente, pense bem na resposta

Seja realista ao estabelecer os prazos de entrega de seu trabalho para evitar expectativas irrealistas

Crie espaços para respirar

Espero que essas dicas sejam úteis. Use sempre que puder, pois poderão fazer a diferença entre você chegar aonde quer ou ficar no meio do caminho.

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Como ficamos?

Meses de isolamento, máscaras e poucas interações com muitas pessoas que nos trazem normalmente muito prazer, têm produzido mudanças em todos nós. Apesar de estarmos aprendendo muito sobre relacionamentos através dos telefones e computadores e sobre trabalho à distância, a despeito de estarmos discutindo o mundo fascinante que emergirá desse ano abominável, os sinais que herdaremos física e emocionalmente são visíveis.

Hoje fiz uma selfie, usando conselhos de minha irmã, que sabe muito mais do que eu, e me deu algumas aulas. Confirmei algo que já tinha notado quando dei uma entrevista há alguns dias atrás: envelheci vários anos em 2020. Meu olhar voltou a ser triste, mesmo que eu esteja feliz, curtindo o simples dia-a-dia com meu marido e observando Roma pela janela. Com todos os bons momentos que tenho vivido, as notícias dos jornais me trazem insegurança e medo do futuro. A ignorância e a disputa política em torno do vírus, me faz cada dia ficar mais triste e preocupada.

Vacinas estão sendo anunciadas para o início de 2021. Pessoas corajosas e benevolentes estão aceitando ser cobaias, mas nenhum laboratório quer ser responsabilizado por aquilo que não der certo. Claro que, mesmo que as vacinas sejam ainda duvidosas, as pessoas irão buscar. Ninguém aguenta mais essa situação. Muitos decidiram enfrentar o vírus sem pensar que podem infectar outros menos resistentes. Eu não condeno ninguém pois sou capaz de entender o desespero das pessoas.

A Europa está de joelhos, tentando achar uma maneira de diminuir esse segundo momento do vírus. Lockdowns, estado de emergência, cores para as regiões determinando as medidas que devem ser adotadas, cidades fechadas, apelos para as pessoas ficarem o maior tempo possível em casa, nada disso tem resolvido. Não tenho notícias da Ásia e da África, nem imagino o que possa estar acontecendo.

Estou pedindo ao verão que proteja o Brasil, pois nem sou capaz de conjecturar sobre um repique da doença na força que parece ser sua característica. Sem dúvida, poderá destruir o que resta de meu amado país. Hoje fiquei sabendo que aí o vírus está aumentando nas classes A e B, graças a festas e encontros. Essas pessoas tem acesso a bons serviços de saúde, mas representam o potencial de infectar pessoas de classes mais frágeis em relação à disponibilidade da saúde pública. Assustador!

O que vai acontecer quando tirarmos as máscaras? Essa é uma pergunta que me faço todo dia. Agora, fomos reduzidos a falar, mostrar o que sentimos, sofrer ou estar felizes, apenas com os olhos. outro dia caí na rua e fui auxiliada por um par de olhos generosos, mas se os encontrar outra vez na rua não serei capaz de reconhecer. Não sabemos mais quem somos e quem são os outros.

Quando eu vi essa foto, uma noiva e suas damas de honra usando máscaras, quase chorei. As máscaras são lindas, bordadas, combinando com o vestido da noiva, mas mesmo assim, escondem sorrisos e emoções. Um momento especial desses sem rosto?

A tristeza de meus olhos tem razão de ser, afinal.

Fotos arquivo pessoal, Unsplash (Ashkan Forouzani) e Facebook

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Atire a primeira pedra…

Atualmente, a perplexidade tem dominado meus pensamentos mas, mais do que tudo, o momento tem iluminado verdades conhecidas, mas ignoradas durante muito tempo. Somente nos últimos dias me dei conta de como posso – e outros também podem – ser hipócrita sem perceber e sem trazer sentimentos de arrependimento ou constrangimento. Sou naturalmente gentil, o que me leva muitas vezes a usar de uma certa falsidade para manter essa característica.

Hipocrisia ou gentileza? Onde está o limite entre ser gentil e ser hipócrita? Sou só eu, ou vocês também têm que lidar com esse questionamento.

Você nunca teve aquele momento em que chamou de linda uma amiga, apenas para que ela se sentisse melhor, mesmo sabendo que ela é feinha? Você não “mente” quando come alguma coisa que detesta, apenas porque alguém cozinhou para você?

Essas situações são frequentes no dia-a-dia e mostram nosso lado menos honesto ou autêntico… Ou apenas bem educado e gentil?

Já passei por muitos momentos desse tipo. Nunca esqueço de uma festa de aniversário de uma menina que era colega do meu filho na escola (eles tinham uns 5 anos), e a única comida servida era sarapatel. Foi uma das coisas mais horríveis que eu já comi, mas quando a dona da festa me perguntou sorridente se eu tinha gostado, eu disse sim, apenas para não ser desagradável com ela. Tenho dezenas de exemplos semelhantes a esse e você possivelmente também tem.

Circunstâncias como as descritas acima têm se repetido constantemente, especialmente nesse tempo de isolamento social. Nossas relações estão passando por modificações sobre as quais não temos controle, então a “hipocrisia do bem” se torna uma alternativa para não apenas fazer uma ou outra cortesia, mas também para esconder algumas verdades sobre nós mesmos.

Num tempo em que nossos referenciais éticos e morais estão sendo questionados, em que a liberdade de uns pode ofender outros sem consequências, em que nossas crenças vêm sendo derrubadas pelo politicamente correto, como não agir com menos autenticidade? Muitas vezes, sentimos até vergonha de não concordar com a maioria, temos medo de parecer retrógrados, preconceituosos. É mais que hipocrisia do bem, é hipocrisia de aceitação, a obrigatoriedade de pensar igual à ideia predominante para fazer parte da tribo que admiramos. Esse tipo de comportamento tem feito muitas vítimas.

A “hipocrisia do bem ou da aceitação”, muitas vezes vem nos ajudar nas trocas, no amor, na amizade, nas relações sociais e de trabalho. É possível que realmente acreditemos nisso ou essa é apenas uma desculpa para atitudes menos nobres de nossa parte?

No meu caso, o que me leva a agir assim? O que me faz ser hipócrita, com a pretensão de ser gentil? Será um sentimento de superioridade, que me faz acreditar que minha opinião pode ser importante para outras pessoas? Agradar aos outros me faz sentir melhor? Sem dúvida ambos conceitos podem ser verdadeiros e isso não me faz uma pessoa melhor, mas me faz uma pessoa pior. Não quero ser essa pessoa pior e, mesmo que eu ache uma explicação lógica – e até generosa – para minhas atitudes, sempre ficarei em dúvida.

Minhas verdades podem ser disfarçadas, sem com isso me transformar em mentirosa e falsa, má, desonesta ou desleal. Ou não? É meramente uma forma de me enfeitar para as pessoas que amo e admiro? Ou de fingir que sou melhor? quem sabe devo apenas ficar quieta?

Gentileza é fundamental em uma civilização, onde vivemos juntos, em comunidades ampliadas pela tecnologia e pelos muitos meios de comunicação pessoal. É duro quando devemos escolher entre sermos gentis de verdade ou sermos hipócritas mesmo.

Atire a primeira pedra quem nunca…

Fotos: unsplash e google

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E essa tal felicidade?

“A felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior”. Li isso na Wikipedia, que tem sido minha companheira constante para estudos variados nos momentos em que fico em casa.

Nesse tempos obscuros, é bom dar uma olhada nos aspectos brilhantes da vida, no amor, na saúde e… no que nos faz felizes.  Vai daí, pensei com meus botões: que tal falar um pouco sobre esse tema tão importante para a vida e as carreiras das pessoas? E essa tal felicidade? Onde encontramos?

Então, sente na sua poltrona favorita e me acompanhe. Se ainda tiver um copo de vinho ou um bom uísque será melhor ainda.

Desde as primeiras eras, a busca por definir e manter a felicidade tem sido tema de inúmeras reflexões de estudiosos. Nos tempos atuais, psicólogos humanistas iniciaram um movimento novo, a psicologia positiva, que recomenda que os profissionais contemporâneos da área adotem “uma visão mais aberta e apreciativa dos potenciais, das motivações e das capacidades humanas”, enfatizando mais a busca pela felicidade humana que o estudo das doenças mentais.

Os estudiosos ligados a essa corrente, concluíram que uma personalidade emocionalmente equilibrada relaciona-se melhor com a felicidade. A estabilidade emocional protege a pessoa contra as sentimentos negativos e prevê uma inteligência social* mais elevada, que colabora na formação e continuidade da coexistência harmoniosa com outras pessoas.

Aqueles que confiam mais nos outros têm maiores possibilidades de comunicar-se bem com mais pessoas, pois também desfrutam de maior inteligência social.

Bons relacionamentos têm a vantagem adicional de criar grupos de apoio para momentos de necessidade, de solidão ou de frustração. Interagir socialmente é um dos aspectos mais importantes para a felicidade.

Alcançar sucesso e realização impõe também que sejam reconhecidos aspectos positivos ao seu redor, demanda enxergar “o lado ensolarado da vida”. A atividade física, a meditação, o lazer, a distração, a família, os amigos, a natureza, a arte, os estudos e, principalmente o amor, são alguns desses aspectos prazerosos. Nem falo de viagens porque no momento isso não está fácil. Claro que depende daquilo que você tem, do que gosta e do que pode fazer. 

Nesse tempo de isolamento, usar as possibilidades que a tecnologia coloca a nosso dispor é a forma mais fácil de obter satisfação com o que a vida tem de bom para nos mostrar. Afinal, nunca se pensou que, em tão pouco tempo, tantas pessoas se familiarizariam com tantas alternativas técnicas.

Redes sociais, aplicativos, buscadores, transmissão online de conteúdo, conversas e filmes, compras, trabalho remoto, video-conferências, são as alternativas que ora estão disponíveis para mantermos nossos relacionamentos, nosso conhecimento e nosso relaxamento e alegria. Sem deixar de lado o velho telefone, que agora é uma ferramenta moderna e acessível a quase todo mundo.

Entretanto, mais do que tudo, saber o que é importante para você, o que lhe traz alegria e autoconfiança é o início de uma trajetória mais enriquecedora. A partir desse conhecimento sobre você mesmo e seus valores, você pode pensar em como aumentar episódios aprazíveis, repeti-los mais vezes e torná-los a base de sua satisfação. 

É preciso ter sempre presente, entretanto, que lamentações constantes, pensamento negativo, falta de confiança nas possibilidades que a vida traz são determinantes para que o fracasso se concretize.

Ah, mais do que tudo, histórias de tragédias, animaizinhos maltratados, crianças abandonadas, opiniões contraditórias sobre cuidados com a saúde podem ser determinantes em processos de pessimismo e depressão.

Enfim, tendo clareza sobre o melhor para você, no que acredita, o que lhe traz satisfação, com quais pessoas pode contar, você poderá direcionar sua vida de uma maneira que lhe traga mais significado e propósito. Com isso, sem dúvida você irá encontrar essa tal felicidade!

Falarei mais sobre isso em breve. Acompanhe.

Informações principais pesquisadas em: Wikipedia; The Economist – 2010 – “Age and Happiness – The U-bend of Life); HSA – Happiness Studies Academy (Dr. Tal Ben Shahar)

Fotos (na ordem): Olia Nayda, Benin Donmez, Tegan Mierle, Dustin Belt e stateofmind.it.

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… precisamos falar sobre…*

Andei relendo nos últimos meses a série “Os Reis Malditos”, onde Maurice Druon** conta a história dos reis Capetos, desde Filipe, o Belo até o rei João II. No livro 7 da série, “Quando um Rei Perde a França”, o autor escreveu isso:

Foto Nik Shuliahim

“O homem é semelhante a um cego que quer negar a luz porque não pode vê-la. A luz é um grande mistério para um cego.”

Esse parágrafo do livro me fez viajar numa longa pesquisa sobre a predisposição que faz com que todos nós tenhamos necessidade de atribuir características humanas a elementos não humanos. Os grandes mistérios a que somos expostos só são imaginados quando os transformamos em imagens concretas. Vai daí que um cego não consegue imaginar a luz porque nunca a viu.

A necessidade humana de tornar concreto qualquer pensamento, de personificar crenças e valores é algo extremamente limitante. Dificulta a fé, por exemplo – alguém consegue pensar em Deus sem ter em mente um velho senhor de barbas brancas? – assim como coloca barreiras à imaginação. Não permite também que o homem esteja aberto a outras dimensões ou universos paralelos, pois sempre que esses dois conceitos nos são exibidos, são baseados em nossa própria realidade.

A criatividade, então, nem se fala. Filmes e livros de ficção trazem seres feitos de luz, por exemplo, mas em formatos humanoides, outros que lembram animais, outros ainda com diversos olhos ou bocas e muitas criaturas exóticas, todas baseadas no que existe no nosso Universo. Se não fosse assim, como mostrar qualquer coisa? (foto Josh Hild)

Empresas usam a personificação, ou linguagem comum para criar propagandas de seus produtos. Essa forma de expressão cria emoções e interação social entre produtos e consumidores, forjando elos de relacionamento. Assistentes personalizados com nome, forma física e voz humana trazem sensações de acolhimento e compreensão.

Isso se chama antropomorfismo. Segundo a Wikipedia, o antropomorfismo é o pensamento que atribui características ou aspectos humanos a animais, deuses, elementos da natureza e constituintes da realidade em geral. (foto copiada de locomotiva26.com.br) Veja Calvin e Haroldo, um menino de seis anos e seu tigre de pelúcia que é seu amigo e confidente.

Nossa incapacidade de imaginar sem usar uma referência concreta talvez seja o que nos manteve incapazes de viajar a outros mundos até agora. Eventualmente essa é a razão de, ao pensarmos em universos paralelos, a primeira ideia que surge é de outros macro-cosmos semelhantes ao nosso, mesmo que existam teorias que desmentem essa crença.

Adoro ficção científica, mesmo que ela use sempre as referências do nosso próprio Universo. Leio e assisto com imenso prazer porque, a mim, desperta a insaciável curiosidade de saber mais e mais. (foto copiada de Turno Zero)

No entanto, o que está à minha mão é esse mundo cheio de contradições, guerras, amores, obras maravilhosas de natureza e, principalmente, aquilo de bom que o homem ainda é capaz de fazer.

Lamento apenas que precisemos viver nossas vidas sabendo que, por enquanto, não temos escapatória para um lugar melhor ou um futuro esperando para nos premiar. Vamos gastar toda nossa energia em fazer desse um mundo melhor! Claro que isso não nos impede de sonhar e imaginar. E nossos netos ou bisnetos poderão ser livres de nossas limitações.

*esse título é inspirado na série “The Young Pope” e na sua sequência “The New Pope”, ambas interessantes e disponíveis na Amazon.

** Maurice Druon, (abril/1918 – abril/2009), escritor francês premiado, foi Ministro da Cultura e de Negócios Culturais em diferentes momentos da França, Recebeu a Grande Cruz da Legião de Ouro.

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Homens X Mulheres – Reinvenção profissional

Então, cá estamos em 2022. Continuamos vivendo esses tempos complicados, com uma pandemia que não acha seu fim, uma radicalização nas opiniões, uma patrulha ideológica pesada. E, claro, temos que nos adaptar ou sofrimento e desconforto vão nos levar a um estado de esgotamento mental enorme. O que podemos fazer, nós, que não somos médicos, enfermeiros ou pesquisadores do assunto?

Na verdade, podemos seguir as regras para ser socialmente aceitos e ir em frente. Dei folga para mim mesma nos últimos dias, tanto de tarefas quanto de pensamentos, diminui bastante minha busca de informações nos jornais e TVs e recomeço hoje com a mente descansada. Decididamente, a única coisa que posso fazer é continuar a viver como sempre, mesmo com restrições de contatos, vacinas e máscaras (esta tem me trazido muito mal-estar, confesso).

Vai daí, estou pensando num ponto que me intriga bastante. Por que o número de mulheres que se reinventam profissionalmente é maior do que o de homens? Vejo isso entre ex-colegas, amigos, conhecidos. Mulheres acostumadas ao ambiente corporativo estão atuando em áreas completamente diferentes, no geral relacionadas a criatividade e flexibilidade de horários, enquanto os homens continuam prestando consultoria às áreas nas quais trabalharam por muitos anos.

Claro que preciso fazer uma pesquisa séria para saber se isto realmente é uma verdade ou se estou percebendo apenas um pedacinho do todo. É minha impressão, apenas, sem nenhuma prova científica, talvez outras pessoas possam me dizer como estão vendo o fenômeno.

Entretanto, não posso deixar de observar mulheres que saíram de áreas bem específicas como finanças, marketing, produção transformando-se em grandes artesãs, artistas, criadoras de moda, produtoras de comida (muito conveniente em tempos de pandemia), cultivadoras de frutos, flores e ervas. Enfim, temos novas escritoras, consultoras de carreira e de vida, cantoras, professoras… Elas estão todas por aí, mostrando habilidades que estiveram escondidas, muitas vezes por toda uma vida.

E os homens? Muito poucos se aventuraram nesse caminho desconhecido. Sei que a vida corporativa sempre foi mais difícil para as mulheres, também conheço a dificuldade de ser recontratada depois de uma certa idade, e isso é mais grave para elas, mas acredito que elas são mais flexíveis. A escolha masculina pode ter muitos porquês: melhores rendimentos, maior familiaridade proporcionada pela formação e experiência, uma certa rigidez em abrir mão da imagem, enfim, quero muito saber mais.

Ainda pretendo fazer uma pesquisa sobre estas razões, mas precisarei de ajuda pois esse é um campo em que não me saio muito bem. Enquanto isso, se alguém quiser me ajudar, compartilhe suas impressões. Ficarei muito agradecida.